Si hortum in biblioteca habes deerit nihil

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9 de maio de 2013

Histórias de Porto da Lage

                              

 

                                   O Grémio de Porto da Lage

 


Ao recordar este ingénuo e provinciano episódio [post anterior ], abre-se-me do arquivo da minha memória a acção cultural, social e recreativa que o Grémio de Porto da Lage exerceu durante os primeiros anos da sua existência.
No campo da cultura, foram levados à cena algumas peças de teatro representadas por jovens raparigas e rapazes naturais do Lugar. No campo da música, nasceu uma escola para o ensino das primeiras notas musicais. Tinha como professor o sargento-músico do R.I. 15, Diogo Vasconcelos, natural da povoação do Paço da Comenda.

Cada um dos instruendos adquiriu individualmente o seu instrumento musical. Eram violinos, guitarras-violas e bandolins. As aulas eram ministradas semanalmente, aos Sábados à noite ou aos Domingos, porque era o tempo que havia disponível. Inicialmente houve grande entusiasmo mas foi diminuindo perante as dificuldades. O solfejo era mais do que maçador e incompreensível para quem não teve a dita de um Viana da Mota ou um Beethoven mais modesto. A desistência foi total. Cada candidato recolheu-se à sua inaptidão musical, guardando cada um o seu instrumento de cordas até que desapareceram.

No campo da acção social, o grémio com a sua gente de jovens raparigas, meritou ao confeccionar roupas de agasalho para as crianças carenciadas dos Lugares vizinhos, quando a época de Natal. 
No campo recreativo a acção do Grémio foi mais abrangente. Era esse o seu propósito inicial quando da sua fundação.

Pelo Carnaval organizavam-se bailes e marchinhas animados por pequenos conjuntos musicais; na Primavera e princípio do Verão reuniam-se os jovens de todas as idades e alguns adultos coniventes, em pic-nics pelos cimos dos montes; aos Domingos ouviam-se relatos de futebol transmitidos pela antiga Emissora Nacional através de um receptor TSF alimentado por acumulador; em jogos de salão havia o ping-pong, o jogo das damas, do dominó e das cartas. Para regalo do espírito havia uma moderna grafonola que debitava uns sons com alguns dBles, através de uma campânula, que vinha das profundidades de um disco que rodava a 78 r.p.m, emitidos por uma senhora ou cavalheiro que lá haviam caído.

Ainda do Grémio dos anos 30 de mil e novecentos é destacável o pano de boca do palco. Era uma pintura da ponte de cimento, abarcando todo o leito da ribeira, as duas margens, a estrada da Beselga com construções já desaparecidas. Tinha como fundo o açude em plena Primavera, com água a cair em catadupa sobre o lajedo com profundas cavidades (Ilídio Mota Teixeira).






Fotografia de Luís Sousa, cedida por Óscar Mota

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